A Previsibilidade da Lesão de Nélson Semedo

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Raymond Verheijen no seu livro “How simple can it be?” alerta-nos para a necessidade de se fazer para além de uma Periodização Coletiva uma Periodização Individual do Treino de Futebol.

Particularmente em relação aos jovens jogadores que são integrados nas equipas principais vindos de equipas de níveis inferiores, refere-nos como se deve integrar e desenvolver estes jogadores numa fase inicial.

Começa por nos explicar que a um nível inferior os jogadores normalmente treinam menos e jogam com menor intensidade do que o fazem a alto nível. Assim percebemos que na temporada de 2014/2015 Nélson Semedo na equipa B treinava e jogava com uma exigência muito inferior à que lhe é exigida na equipa principal em 2015/2016.

Assim, inicialmente teria que realizar menos treinos que os seus companheiros (mais habituados às exigências de alto nível) e ir aumentando progressivamente o número de treinos ao longo dos meses. Por exemplo, se a equipa treinava 6 vezes por semana, no 1º mês deveria ter realizado 3 treinos, no 2º mês aumentava para 4 treinos, no 3º mês 5 treinos para conseguir ao final de 6 meses realizar todos os treinos com a equipa. Em relação aos minutos de jogo a abordagem teria de ser semelhante, começar a jogar menos minutos e ao longo das semanas ir aumentando a sua participação até conseguir ao final de alguns meses realizar todos os minutos de jogo.

Com esta construção gradual, Raymond Verheijen diz-nos que o corpo do jovem jogador pode ir habituando-se a um treino/jogo mais intenso e exigente e a possibilidade de sofrer alguma lesão reduz-se drasticamente.

Infelizmente na prática estas orientações raramente são tidas em consideração. Os jovens jogadores são lançados para o vazio, treinando tanto ou mais que os seus colegas (há a ideia que os jogadores mais jovens têm de treinar mais que os outros jogadores). Assim, para além da maior intensidade da equipa principal, também têm de lidar imediatamente com um maior volume. Esta combinação está destinada a correr mal. O jovem jogador fica em estado de sobretreino e eventualmente lesiona-se.

Com Nélson Semedo, na impossibilidade de se conhecer o que realizou durante as semanas de treino, uma análise aos jogos realizados mostra-nos que a Periodização Individual deste jogador não teve estas indicações em conta já que ele realizou todos os jogos do início da temporada e sempre com a totalidade dos minutos de jogo.

Assim é importante que todos os Treinadores tenham o cuidado de para além da realização de uma Periodização Coletiva, façam também uma Periodização Individual de forma a que estes contratempos aconteçam cada vez menos aos jovens talentos que são integrados a alto nível.


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