Brasil – 3 Croácia – 1 (O que podemos aprender com este jogo?)

No dia 12 de Junho de 2014 iniciou-se o Campeonato do Mundo de Futebol Brasil 2014.

O Brasil venceu a Croácia por 3-1.

Através do software desportivo TacticalPad mostraremos as principais aprendizagens que este jogo deu aos treinadores de futebol.

1- “Estar, não chegar” – SubPrincípio da Organização Defensiva:

Como podemos observar no vídeo anterior, o central do lado direito (Thiago Silva) foi fazer a compensação ao lateral direito (Daniel Alves) que foi ultrapassado pelo extremo croata (Olic). O médio de cobertura brasileiro (Luiz Gustavo) não ocupou bem o espaço nas costas de Thiago Silva (má cobertura defensiva) permitindo que um cruzamento pelo solo chegasse ao centro da grande área para ser desviado para golo.

Nestas situações é muito importante que o médio mais recuado da equipa vá rapidamente para a zona de cobertura ao Central que saiu da sua posição no corredor central de forma a “estar, não chegar”.

Estar e não Chegar

Como podemos ver na imagem anterior, Luiz Gustavo (n.º 17) deveria estar na zona assinalada dentro do “retângulo vermelho” para conseguir intecetar os cruzamentos para a zona central da grande área e dar cobertura defensiva ao central que se deslocou para o corredor lateral.

2. “Receber a bola no espaço <entre-linhas>” – SubPrincípio da Organização Ofensiva:

No vídeo anterior vemos como o Brasil conseguiu chegar ao empate. Neymar, que durante quase todo o jogo recuou muito para ir buscar a bola atrás, ficando quase sempre com 8 jogadores adversários entre si e a baliza contrária (impedindo que criasse perigo), conseguiu nesta situação receber a bola no espaço “entre-linhas” (nas costas dos médios adversários, entre a linha defensiva e a linha média) fazendo em seguida uma condução em progressão com remate desde fora da grande área para o golo. O movimento diagonal do ponta de lança (Fred) para arrastar o central que o marcava para fora da zona de ação de Neymar também foi muito importante.

É determinante para a equipa que ataca conseguir colocar a bola neste espaço “entre-linhas” (defensiva e média), nomeadamente nos jogadores com grande capacidade de desequilibrar os adversários e progredir entre os defesas.

Em seguida mostramos um exemplo de um Contexto de Exercitação para treinar este SubPrincípio da Organização Ofensiva (“Receber a bola no espaço <entre-linhas>”).

Descrição:

– Começam a jogar no corredor central 4×4 (médios das duas equipas), tentando os médios da equipa que ataca passar a bola pelo solo para o jogador no espaço “entre-linhas” que em seguida com o apoio do ponta de lança tentam marcar golo perante a oposição de dois defesas adversários.

– Se os 4 médios da equipa que defende recuperarem a bola podem marcar golo na baliza da equipa adversária.

3. “Desviar a bola ao 1º poste para entrada de alguém nas suas costas” – Jogadas de Estratégia Ofensiva:

Foram muitos os pontapés de canto conseguidos pelo Brasil. No entanto o único em que criou realmente perigo foi quando a bola foi cruzada tensa ao 1º poste para a entrada de um jogador ao encontro da bola partindo de perto do guarda-redes adversário, desviando-a em seguida para trás. Sempre que o atacante consegue desviar a bola ao 1º poste, para trás num pontapé de canto consegue-se criar grandes desequilíbrios aos adversários (é importante trabalhar estas jogadas de forma a que apareçam jogadores ao 2º poste para aproveitarem o desvio da bola ao 1º poste).

4. Outras:

– Cada vez mais as transições rápidas são decisivas nos jogos de futebol, assim sendo, a marcação rápida das faltas é muito importante para se conseguir aproveitar o desequilíbrio posicional dos adversários e distrações momentâneas (muito usuais nestes momentos posteriores à marcação de faltas pelo árbitro);

– Com a crescente organização defensiva andebolizada por parte das equipas de futebol, é muito importante que as equipas tenham jogadores capazes de marcar desde distâncias muito grandes para a baliza. Sendo assim todos os jogadores devem desenvolver a sua capacidade de remate exterior desde muito cedo;

– Quase todos os golos entraram junto aos postes e sem grande potência. Desta forma, devemos potenciar os remates junto aos postes nas sessões de treino. Uma das formas de o fazer é colocar uma zona delimitada junto aos postes em que a obtenção do golo por esse espaço (entre um cone a 1 metro do poste da baliza, por exemplo) dê mais pontos à equipa do jogador que o obtenha;

– Com a introdução do spray nos Mundias de Futebol para manter a “barreira” à distância correta em relação à bola (evitando que se aproximem da bola), o jogador que vai marcar o livre pode ganhar mais ângulo de remate recuando um pouco a bola em relação ao local da falta (aumentando a distancia entre a bola e a “barreira”);

– Os jogadores de futebol (nomeadamente os extremos) devem desenvolver uma grande capacidade para jogar com qualquer um dos pés, sendo uma ameaça dupla para os adversários: 1) indo à linha para fazer cruzamentos tensos para os colegas posicionados dentro da grande área; e 2) indo para “dentro” e rematando com o pé “contrário”;

– Mais uma vez ficou demostrada a importância dos jogadores de futebol passarem em jovens pelo FUTSAL para desenvolverem a sua capacidade técnica (inclusive os remates de “bico”). Os dois melhores jogadores do jogo foram Óscar e Neymar que em jovens jogaram FUTSAL antes de ingressarem no Futebol de 11.


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