Palmeiras 2 x 2 Bahia: A não construção do jogo

Palmeiras 2 x 2 Bahia: A não construção do jogo

Resultado injusto para o Bahia. Vaias justas ao Palmeiras. Escalação

O jogo, o modelo de jogo e o não jogo

Ainda não é claro qual o modelo de jogo do Palmeiras. Talvez no treino possa ser descoberto, durante a partida ainda não há como adivinhá-lo. A função do camisa 9, seja Deyverson ou Borja, é confusa, sempre recebendo a bola de costas ao gol. Como nenhum dos dois é trombador ou bom pivô, sob a pressão dos zagueiros, os erros se sucedem. Deyverson foi o grande perdedor do jogo, 5 passes errados e 6 bolas perdidas. Borja pouco tempo ficou em campo e perdeu duas bolas. As vaias que hoje recebe Deyverson já foram para Borja, nome agora gritado pelo desespero da torcida. Evair certamente também as receberia. Camisa 9 de costas Palmeiras jogou basicamente pelo lado esquerdo do campo, Egídio, Juninho e Dudu foram os grandes passadores de um time que pouco passou, mal chegando aos 200 passes (90% de acerto), na sua maioria no primeiro tempo. O total de passes assusta pois chega à apenas metade do esperado para um time moderno. Fica também destacada a ausência de triangulações. No único momento de bola trabalhada, Bruno Henrique concluiu para o segundo gol do jogo. No entanto, o Palmeiras apresentou sim um padrão hoje, bolas longas. Foram 36 no total, 24 erradas. Quem mais errou foi Fernando Prass, com 10. O arqueiro, perfeito com as mãos, resume sua participação com os pés, basicamente, a buscar a conquista de terreno de campo colocando a bola distante de sua meta. Mas ela volta. E voltou muito. Se não fosse o mesmo, em dia inspirado em sua função primária, o desfecho poderia ser ainda pior. Outro ponto de destaque são os cruzamentos. Alinhados com as bolas longas, em princípio e resultado, foram 20, 15 errados. Dudu e Egídio dominaram, com 6 e 5 erros, respectivamente. Um time que começa sua posse jogando a bola longe, errando na maioria das vezes, e, quando tem a bola no ataque, busca cruzamentos e passes precipitados, pouco consegue avançar e concluir.

Futebol brasileiro x Futebol da Seleção Brasileira

Durante o jogo, o comentarista da SporTV bem observou, o futebol brasileiro é diferente do futebol da seleção brasileira. No jogo de hoje ficou bem claro o principal ponto de distinção, o modelo de jogo e os princípios aplicados em sua construção. Para iniciar o tema na observação de Palmeiras x Bahia, preciso falar um pouco do protocolo de medidas aplicado. Para a posse de bola, são 3 estados possíveis: Casa, Indefinido e Adversário. O indefinido representa a bola parada e o pega pra capar, enquanto a bola não for dominada e a posse claramente definida, deixo o tempo passar nesse estado. Não preciso nem concluir, só citar que, na maior parte do tempo no jogo de hoje, a posse de bola ficou amarelinha em minha tela, indefinida. Num próximo jogo medirei o número de vezes que a bola sai pela lateral, um sexto sentido me diz que quanto pior o jogo mais vezes os laterais usam as mãos. Vamos falar muito ainda sobre o futebol brasileiro, os modelos de jogo e os princípios aplicados ou então falaremos da inexistência deles e concluiremos que o futebol brasileiro, com algumas exceções, se baseia no aleatório, no molde pelada da aula de educação física de sexta-feira: bola pra cima e vê no que dá. Nas duas formas os gols saem, com mais méritos ou mais aleatoriedade, mas, se olharmos somente os placares, acharemos que são o mesmo esporte.

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