David contra GOLIAS: como os “pequenos” podem derrotar os “GRANDES”

Nos Oitavos de Final do Mundial FIFA Brasil 2014 a Argélia esteve perto de eliminar a toda poderosa Alemanha.

Argélia

Estas foram algumas caraterísticas que os argelinos demonstraram em campo e que deverão ser aproveitadas pelos treinadores de futebol para desenvolverem as suas equipas:

1. Conhecimento das suas virtudes e dos seus defeitos:

Tendo consciência que perder a bola em 1ª Fase de Construção pode ser muito perigoso (muitos golos sofridos após perda da bola nesta fase), os argelinos optavam constantemente por colocar a bola longa para o desvio do Ponta de Lança ou dos Extremos, muitas vezes pelo Guarda-Redes após recuo da bola proveniente dos Defesas que se encontravam pressionados. Nunca saindo a jogar curto desde trás.

2. Conhecimento e estudo dos adversários:

Cada vez mais os jogos são preparados ao pormenor, sabendo-se quase tudo da equipa adversária. Desta forma, os principais organizadores de jogo da Alemanha (Kroos, Schweinsteiger, Ozil e Gotze) eram constantemente impedidos de receber a bola nas suas zonas preferenciais, obrigando-os a procurar outros espaços fazendo com que o jogo alemão perdesse a sua habitual fluidez e eficácia.

3. Inteligência Tática:

Durante o jogo há momentos em que a equipa fica em condições difíceis e perde o seu equilíbrio, nestas alturas é importante que os jogadores conheçam perfeitamente aquilo que o treinador pretende e o que fazer em cada momento. Como exemplo referimos o momento em que a equipa argelina perdia a bola e o jogador mais próximo da bola tinha de optar pela contenção ao portador de forma a que os seus colegas recuperassem as suas posições ou então optar pela falta “tática” quando visse que a sua equipa estava muito desequilibrada e havia reais possibilidades dos alemães aproveitarem essa situação para marcar.

4. Velocidade de decisão e de execução:

Todas as ações dos argelinos eram feitas a grande velocidade de forma a aproveitar os espaços momentâneos dados pelos alemães. Nomeadamente quando tinham a posse da bola, os argelinos tentavam jogar a bola curta de forma a atrair os alemães para em seguida colocar a bola no Extremo do lado contrário (bem aberto em largura) que com a rápida sobreposição do Lateral local (por dentro ou por fora) aproveitavam a superioridade numérica entretanto criada para colocar a bola na área em boas condições para o Ponta de Lança marcar ou então tentarem eles mesmo a obtenção do golo.

5. Solidariedade entre todos:

Uma das vantagens de se estar numa equipa “pequena” é que todos os jogadores têm consciência das suas limitações e da imperiosa necessidade de se apoiarem e ajudarem de forma a levarem de vencida a equipa adversária de maior valia. Principalmente quando não tinham a bola e se encontravam a defender, os argelinos estavam sempre muitos juntos uns dos outros (sistema de coberturas constantes e sucessivas) criando “campo pequeno” sobre a bola, havia sempre alguém a pressionar o portador da bola (dentro das zonas definidas) mas sempre com cobertura defensiva por parte dos colegas que para além disso evitavam que os potenciais receptores próximos a recebessem de uma forma cómoda. Também acompanhavam sempre que necessário algum jogador adversário que se incorporasse desde trás (criando a superioridade defensiva tão importante para não se sofrer golo), neste aspeto em particular referência especial para os Extremos (Feghouli e Soudani) que nunca se negaram a recuar para a linha defensiva (criando uma linha defensiva de 6 jogadores em muitas ocasiões) para acompanharem as subidas dos laterais alemães.

6. Agressividade Constante:

Em todas as ações (ofensivas e defensivas) cada jogador argelino colocava todo o seu empenho, tratando cada lance como se fosse o último e o mais importante da partida. Aqui é de referir o facto de serem “atacantes” mesmo sem bola, isto é, nunca deixavam que os adversários tivessem muito tempo para ler o jogo e optarem pela melhor decisão.

7. Organização Coletiva:

O mais importante que uma equipa pode ter é funcionar como um verdadeiro bloco, como uma unidade funcional, sabendo todos os jogadores o que fazer em campo. Aqui é de referir o facto dos argelinos saberem sempre em que zonas deviam começar a pressão aos alemães (não há nada pior para uma equipa e para os jogadores que cada um pressione por si e sem apoio dos seus companheiros) e em que momentos o deviam fazer: quando adversários recebiam a bola de “costas” ou quando recebiam um passe longo, por exemplo.

8. Prazer e alegria de jogar:

Apesar de toda a organização coletiva, os argelinos tinham oportunidade de mostrar as suas qualidades técnicas e de se divertirem com o jogo. Este aspeto é fundamental já que temos de saber que o futebol é um espetáculo que deve ser atrativo para os espetadores. Se os jogadores não tiverem prazer a jogar e não tiverem liberdade para criar, ficarão cada vez mais desiludidos e perderão a paixão que têm pelo jogo, passando a encarar o futebol apenas como um negócio.


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